Vereador que teve mandato cassado pela Justiça Eleitoral vinha cobrando mudanças no programa; TSE, porém, não julgou o transporte universitário, mas recurso relacionado à cassação por compra de votos
O transporte universitário de Casimiro de Abreu voltou ao centro do debate político do município após mudanças na forma de atendimento aos estudantes e críticas feitas na Câmara Municipal.
O assunto ganhou repercussão em meio a uma disputa política envolvendo o então vereador Pedro Gadelha (União Brasil), que vinha cobrando explicações sobre o programa. Em março deste ano, o parlamentar questionou um decreto municipal que alterou a estrutura do transporte universitário.
Em abril, Gadelha voltou a abordar o tema durante pronunciamento na Câmara. Segundo reportagem publicada à época, o vereador afirmou que a administração municipal alegava falta de recursos para programas destinados aos estudantes, entre eles o Transporte Universitário, enquanto criava novos cargos comissionados. A Prefeitura e a Secretaria de Assistência Social não haviam se manifestado sobre as críticas naquele momento.
TSE analisou recurso de vereador, não o programa de transporte
Apesar de informações que circulam relacionando o caso ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), não há, nas fontes consultadas pelo Em Foco, decisão do TSE que tenha colocado o programa de transporte universitário de Casimiro de Abreu sob julgamento.
O que chegou ao tribunal superior foi um recurso apresentado por Pedro Gadelha contra a decisão que cassou seu mandato de vereador.
Em abril de 2026, o ministro André Mendonça, do TSE, negou uma liminar solicitada pela defesa para suspender os efeitos da cassação. Segundo a decisão divulgada à época, o pedido não poderia ser analisado naquele momento porque a defesa não havia apresentado documentos considerados essenciais para a apreciação do recurso.
A cassação teve origem em uma ação relacionada às eleições municipais de 2024. Segundo o processo, fiscais da Justiça Eleitoral abordaram um homem que estava com R$ 2,4 mil em dinheiro, uma lista com dados de 14 eleitores e centenas de santinhos do então candidato Pedro Gadelha. O TRE-RJ considerou o conjunto das provas suficiente para manter a cassação.
Em maio, após a retotalização dos votos, Fátima Canejo assumiu a cadeira que pertencia a Gadelha na Câmara Municipal.
O que mudou no transporte universitário
O município mantém atualmente uma política de Auxílio Transporte Universitário para estudantes.
A própria Prefeitura divulgou em julho de 2026 o cadastramento de novos estudantes para o segundo semestre, com inscrições realizadas entre 22 de julho e 4 de agosto.
A política de apoio ao transporte universitário não é recente. A legislação municipal prevê mecanismos de auxílio para estudantes residentes em Casimiro de Abreu que frequentam instituições de ensino fora do município. Documentos oficiais também registram valores diferenciados conforme o destino dos estudantes.
Em 2023, a administração municipal informou que o transporte universitário atendia aproximadamente 620 estudantes que estudavam fora de Casimiro de Abreu.
Debate permanece aberto
O histórico mostra que o transporte universitário é uma política pública de grande importância para estudantes de Casimiro de Abreu. Em diferentes momentos, o município enfrentou problemas relacionados à continuidade e ao formato do serviço.
Em 2025, por exemplo, estudantes chegaram a organizar um abaixo-assinado contra a suspensão temporária do transporte durante parte do período letivo. O documento alegava que a interrupção poderia gerar gastos elevados para alunos que dependiam do serviço para frequentar universidades em outras cidades.
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