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Cinco ex-governadores do Rio de Janeiro já foram presos; relembre os casos e as acusações

Cinco ex-governadores do Rio de Janeiro já foram presos; relembre os casos e as acusações

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De Moreira Franco a Luiz Fernando Pezão, ex-chefes do Executivo fluminense foram alvo de prisões e investigações. Wilson Witzel não chegou a ser preso, mas foi afastado e sofreu impeachment; Garotinho, que chegou a ficar inelegível por oito anos, recuperou os direitos eleitorais em 2026 após decisão do STF

O histórico recente do Governo do Estado do Rio de Janeiro é marcado por uma sequência de crises políticas e judiciais. Desde a redemocratização, cinco pessoas que ocuparam o Palácio Guanabara foram presas em diferentes momentos, enquanto outro governador, Wilson Witzel, foi afastado do cargo pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) e posteriormente sofreu impeachment.

A relação, entretanto, exige uma distinção importante: nem todas as prisões ocorreram durante o exercício do cargo de governador, e nem todas as acusações estavam relacionadas diretamente à administração estadual. Em alguns casos, as detenções ocorreram anos depois do fim do mandato e por fatos ligados a outras funções públicas.

A seguir, o EM FOCO relembra os principais casos.

Moreira Franco

Goverador do Rio entre 1987 e 1991, Moreira Franco foi preso em março de 2019 durante uma operação da Lava Jato.

A prisão ocorreu por suspeitas relacionadas a um suposto esquema de corrupção envolvendo contratos da Eletronuclear para a construção da usina de Angra 3. À época, Moreira Franco era ex-governador e havia ocupado posteriormente cargos no governo federal.

Ele foi solto quatro dias depois.

Posteriormente, as decisões que sustentavam a investigação foram anuladas e o caso acabou arquivado pela Justiça Federal do Distrito Federal, segundo levantamento publicado pela Folha.

Importante: a prisão de Moreira Franco não decorreu de acusação relacionada à sua administração como governador do Rio de Janeiro.

Anthony Garotinho

Anthony Garotinho governou o Rio entre 1999 e 2002 e esteve entre os políticos fluminenses que mais vezes foram alvo de prisões preventivas depois de deixar o cargo.

As detenções estiveram relacionadas a diferentes investigações, incluindo acusações de corrupção eleitoral, desvio de recursos públicos e fatos relacionados à política de Campos dos Goytacazes.

Um dos principais casos foi a Operação Chequinho, que investigou o uso do programa social Cheque Cidadão para obtenção de votos nas eleições municipais de 2016. Segundo a Justiça Eleitoral, Garotinho teria participado de um esquema para utilizar o programa assistencial com finalidade eleitoral.

Em 2018, entretanto, houve outro processo que teve consequência direta sobre sua participação eleitoral.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou a inelegibilidade de Garotinho para disputar o Governo do Rio naquele ano. A decisão teve como fundamento uma condenação por ato doloso de improbidade administrativa, com dano ao erário e enriquecimento ilícito de terceiros, relacionada ao programa Saúde em Movimento. O processo apontava desvio de aproximadamente R$ 234,3 milhões em recursos públicos.

A Lei da Ficha Limpa estabelece, nesses casos, inelegibilidade que pode alcançar oito anos após o cumprimento da pena, conforme as circunstâncias previstas na legislação.

Garotinho e os oito anos de inelegibilidade

A situação eleitoral de Garotinho voltou a ganhar destaque em 2022, quando o TRE-RJ indeferiu seu registro para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados. Na ocasião, a Corte apontou condenações colegiadas tanto na Justiça Eleitoral quanto na Justiça comum como fundamentos para a inelegibilidade.

O cenário, porém, mudou em 2026.

Em março, o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), anulou a condenação criminal de Garotinho no caso Chequinho. A decisão considerou ilícita a obtenção de provas centrais da investigação. Em junho, a Segunda Turma do STF manteve a anulação, rejeitando recurso da Procuradoria-Geral da República.

Com isso, Garotinho recuperou seus direitos eleitorais e voltou a aparecer no cenário político de 2026 como pré-candidato ao Governo do Estado.

Portanto, é importante diferenciar: Garotinho foi efetivamente afastado das disputas eleitorais por causa de decisões de inelegibilidade, incluindo a aplicação da regra dos oito anos da Lei da Ficha Limpa em processos distintos, mas essa situação não significa que ele permaneça atualmente inelegível. A condenação criminal da Operação Chequinho foi anulada pelo STF em 2026.

Rosinha Garotinho

Rosinha Garotinho governou o Rio entre 2003 e 2006.

Depois de deixar o Palácio Guanabara, foi prefeita de Campos dos Goytacazes e acabou presa preventivamente em diferentes ocasiões.

As detenções estiveram relacionadas principalmente a investigações envolvendo fraudes eleitorais, corrupção, organização criminosa e contratos públicos durante sua atuação política em Campos.

Em 2019, por exemplo, Rosinha e Anthony Garotinho foram presos preventivamente em uma investigação relacionada a contratos de obras habitacionais firmados pela Prefeitura de Campos com a Odebrecht. A acusação apontava supostas irregularidades nos processos de contratação.

Os processos que resultaram nas prisões do casal sofreram posteriormente decisões de anulação, conforme levantamento publicado em 2026.

Assim como no caso de Anthony Garotinho, é fundamental não confundir as acusações relacionadas à Prefeitura de Campos com atos praticados durante o período em que Rosinha ocupou o Governo do Estado.

Sérgio Cabral

Sérgio Cabral governou o Rio de Janeiro entre 2007 e 2014.

Sua prisão, em novembro de 2016, tornou-se um dos capítulos mais emblemáticos da Lava Jato no estado.

Cabral foi acusado de comandar um esquema de corrupção envolvendo cobrança de propinas, contratos públicos e grandes obras realizadas durante sua administração.

A prisão ocorreu no âmbito da Operação Calicute, que investigava desvios de recursos públicos e pagamento de propina.

Ao longo dos anos seguintes, Cabral acumulou diversas condenações judiciais. Em 2026, segundo levantamento publicado pela Folha, ele ainda respondia a dezenas de ações penais e havia sido condenado em 17 delas, embora a situação jurídica de cada processo tenha sofrido alterações ao longo do tempo.

Em 2025, Cabral e Luiz Fernando Pezão também foram condenados pela Justiça do Rio em uma ação de improbidade administrativa relacionada a um suposto esquema envolvendo propinas disfarçadas de doações eleitorais, benefícios fiscais e utilização de programas públicos. A decisão ainda admitia recurso.

Luiz Fernando Pezão

Luiz Fernando Pezão governou o Rio de 2014 a 2018.

Ele foi preso em dezembro de 2018, ainda no exercício do cargo, em um desdobramento das investigações da Lava Jato.

A acusação apontava suposta participação em um esquema de corrupção ligado ao grupo político de Sérgio Cabral.

Pezão chegou a ser condenado em primeira instância a uma pena superior a 98 anos de prisão. Entretanto, em 2023, o Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2) reverteu essa condenação e o absolveu das acusações criminais daquele processo.

Em 2024, o STF também restabeleceu os direitos políticos do ex-governador ao suspender uma condenação por improbidade administrativa relacionada a irregularidades em repasses para a Secretaria de Saúde.

Assim como Cabral, Pezão voltou a ser citado em uma decisão de 2025 envolvendo improbidade administrativa e suposto esquema de financiamento eleitoral. A decisão era passível de recurso.

E Wilson Witzel?

Wilson Witzel governou o Rio entre 2019 e 2020, mas seu caso possui uma diferença fundamental.

Witzel não foi preso.

Em agosto de 2020, ele foi afastado do cargo por decisão do STJ, no contexto de investigações sobre supostos desvios e corrupção envolvendo contratos da área da saúde durante a pandemia de Covid-19.

O afastamento foi posteriormente mantido e o processo de impeachment avançou na Assembleia Legislativa.

Em abril de 2021, o Tribunal Especial Misto considerou procedente o impeachment por unanimidade. Witzel perdeu o cargo e teve os direitos políticos suspensos por cinco anos.

Por isso, embora Witzel faça parte da história recente de governadores fluminenses afastados por questões judiciais e políticas, não deve ser incluído na lista de governadores do Rio que foram presos.

Uma sequência que marcou a política fluminense

A sucessão dos casos chamou atenção nacional justamente pela frequência com que ex-chefes do Executivo estadual passaram a enfrentar investigações, prisões ou processos judiciais.

Um levantamento publicado em março de 2026 apontou que Moreira Franco, Anthony Garotinho, Rosinha Garotinho, Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão estão entre os ocupantes do Palácio Guanabara que foram presos. O mesmo levantamento ressalta que os contextos jurídicos são diferentes e que alguns casos terminaram com anulações ou absolvições.

O período também inclui Witzel, que não foi preso, mas perdeu o mandato por impeachment.

A história, portanto, não pode ser resumida simplesmente à afirmação de que todos os governadores foram condenados ou presos por corrupção. Há casos de prisões preventivas posteriormente revogadas, processos anulados, absolvições e condenações que continuam sendo discutidas judicialmente.

É justamente essa diferença entre acusação, prisão preventiva, condenação, absolvição e inelegibilidade que precisa ser considerada na análise do histórico político do estado.

E o que acontece com Garotinho em 2026?

O caso de Anthony Garotinho ganhou um novo capítulo justamente no ano em que o Rio de Janeiro volta às urnas para escolher seu governador.

Depois de anos enfrentando restrições eleitorais, o ex-governador teve a condenação criminal da Operação Chequinho anulada pelo STF. A Segunda Turma manteve a decisão em junho de 2026, restabelecendo seus direitos eleitorais.

A situação eleitoral definitiva, entretanto, depende do processo de registro de candidatura perante a Justiça Eleitoral. Nas eleições de 2026, os pedidos de registro para governador são analisados pelo TRE-RJ, e o prazo para apresentação dos registros termina em 15 de agosto, às 19h.

Dessa forma, o histórico de inelegibilidade de Garotinho é parte relevante da trajetória política do ex-governador, mas não deve ser apresentado como uma inelegibilidade atualmente vigente sem verificar o registro e as decisões eleitorais de 2026.

EM FOCO

A trajetória dos governadores fluminenses mostra como crises políticas, investigações criminais, decisões eleitorais e processos de impeachment se cruzaram nas últimas décadas.

Para o eleitor, a análise do passado judicial dos candidatos é uma informação relevante, mas deve ser feita com base em decisões judiciais, documentos oficiais e no estágio atual de cada processo, distinguindo acusações de condenações definitivas.

O EM FOCO acompanha a disputa pelo Governo do Rio de Janeiro nas Eleições 2026 e continuará atualizando a situação dos candidatos conforme a Justiça Eleitoral analisar os registros.

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