LINHA FINA: Bernardo Boldrini desapareceu em abril de 2014, no Rio Grande do Sul. O corpo foi encontrado dias depois. O caso levou quatro pessoas ao banco dos réus e teve diferentes julgamentos ao longo dos anos.
CASO BERNARDO BOLDRINI
A morte de Bernardo Uglione Boldrini, de 11 anos, chocou o Brasil em 2014 e deu origem a uma investigação que se estendeu por anos na Justiça.
O menino desapareceu em 4 de abril daquele ano, em Três Passos, no noroeste do Rio Grande do Sul. Dez dias depois, o corpo foi encontrado enterrado em uma cova às margens de um rio, no município de Frederico Westphalen.

A investigação passou a apurar a participação de pessoas próximas à criança e levou quatro acusados à Justiça: o pai de Bernardo, Leandro Boldrini; a madrasta, Graciele Ugulini; Edelvânia Wirganovicz, amiga de Graciele; e Evandro Wirganovicz, irmão de Edelvânia.
A INVESTIGAÇÃO
Segundo a investigação, Bernardo teria sido levado até Frederico Westphalen no dia de seu desaparecimento.
A acusação sustentou que o menino foi morto por meio da administração de uma substância e que seu corpo foi posteriormente ocultado.
As circunstâncias da morte e a participação de cada acusado foram discutidas durante os processos judiciais.
O Ministério Público apresentou a tese de que havia um plano para matar Bernardo e apontou diferentes níveis de participação dos acusados.
Como ocorre em processos criminais, as acusações foram submetidas ao contraditório e à ampla defesa.
OS PRIMEIROS JULGAMENTOS
Em 2019, Leandro Boldrini, Graciele Ugulini, Edelvânia Wirganovicz e Evandro Wirganovicz foram julgados pelo Tribunal do Júri de Três Passos.
Naquele julgamento, Leandro Boldrini foi condenado a 33 anos e 8 meses de prisão por homicídio, ocultação de cadáver e falsidade ideológica.
Graciele Ugulini foi condenada a 34 anos e 7 meses de prisão por homicídio e ocultação de cadáver.
Edelvânia Wirganovicz recebeu pena de 22 anos e 10 meses de prisão por homicídio e ocultação de cadáver.
Evandro Wirganovicz foi condenado a 9 anos e 6 meses de prisão por homicídio simples.
Posteriormente, decisões judiciais modificaram a situação de parte dos condenados.
O NOVO JULGAMENTO DE LEANDRO BOLDRINI
O julgamento de Leandro Boldrini foi anulado e ele voltou a ser submetido ao Tribunal do Júri em 2023.
A nova sessão ocorreu em Três Passos e durou quatro dias.
Em 23 de março de 2023, o Conselho de Sentença considerou Leandro culpado pelo homicídio quadruplamente qualificado de Bernardo e também por falsidade ideológica.
Ele foi absolvido da acusação de ocultação de cadáver.
A pena estabelecida foi de 30 anos e 8 meses de prisão pelo homicídio, além de 1 ano de reclusão pela falsidade ideológica.
Segundo o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, as qualificadoras reconhecidas no homicídio foram motivo torpe, emprego de meio cruel, recurso que dificultou a defesa da vítima e motivo relacionado à obtenção de vantagem.
O TJRS registrou oficialmente o resultado do julgamento.
A SITUAÇÃO DOS OUTROS ENVOLVIDOS
Graciele Ugulini também foi novamente julgada em 2023, depois que uma decisão judicial determinou a realização de novo julgamento.
Em seu segundo julgamento, o Tribunal do Júri manteve a condenação por homicídio e ocultação de cadáver.
Edelvânia Wirganovicz e Evandro Wirganovicz também permaneceram condenados em decorrência dos julgamentos realizados pelo Tribunal do Júri.
A situação de cada réu passou por diferentes recursos e decisões judiciais ao longo dos anos.
O CASO E A PROTEÇÃO À INFÂNCIA
Além da dimensão criminal, a morte de Bernardo provocou debates sobre a proteção de crianças e adolescentes e sobre a necessidade de levar a sério sinais de vulnerabilidade dentro do ambiente familiar.
O caso também levantou discussões sobre a atuação da rede de proteção, especialmente quando existem relatos de conflitos familiares ou pedidos de ajuda.
É importante, entretanto, não transformar essas discussões em conclusões sobre responsabilidades que não tenham sido estabelecidas pela Justiça.
O QUE A JUSTIÇA DECIDIU
O caso Bernardo resultou em condenações de quatro pessoas após diferentes julgamentos pelo Tribunal do Júri.
Leandro Boldrini teve sua condenação definida no segundo julgamento, realizado em 2023, com pena superior a 31 anos de prisão.
Graciele Ugulini, Edelvânia Wirganovicz e Evandro Wirganovicz também foram condenados em processos relacionados à morte do menino.
As decisões foram submetidas a recursos e revisões judiciais ao longo dos anos.
O caso permanece como um dos crimes contra crianças de maior repercussão no país.
Bernardo tinha apenas 11 anos quando morreu.
Mais do que números de processos, penas e decisões, a história envolve uma criança cuja vida foi interrompida e uma família que passou a conviver com as consequências de uma tragédia que marcou a cidade de Três Passos e o Brasil.
O EM FOCO continuará acompanhando casos de grande repercussão, buscando apresentar os fatos, as decisões judiciais e os diferentes lados dos processos com responsabilidade e imparcialidade.
Imagem: Portal G1
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